Além da Táctica
Será que alguém cai?
Alcides, Fyssas, Manuel Dos Santos, Miguel, Ricardo Rocha, João Pereira, Paulo Almeida, Manuel Fernandes, Carlitos, Geovanni, Simão, Azar Karadas, Tomo Sokota, Andrija Delibasic, Moretto, Anderson, Georgios Karagounis, Andrey Karyaka, Laurent Robert, Marcel, Manduca, Fabrizio Miccoli, Marco Ferreira, Miguelito, Paulo Jorge, Beto, Manú, Derlei.
Quase parece um memorial. Na verdade, trata-se duma lista de jogadores que, desde 2004-2005 até hoje, passaram pelo plantel principal do Benfica, acabando por sair. Por um ou outro motivo. São 29 e nem temos a certeza de os ter referido todos.
Bem mais pequena é a lista dos que permanecem no Benfica desde 2004-2005: Moreira, Quim, Luisão, Petit, Nuno Assis, Mantorras, Nuno Gomes. Sete jogadores (cinco dos quais habituais titulares), um número pouco superior ao dos treinadores que por lá passaram nesse período. Se tivermos em conta que, para além destes, apenas Léo e Nelson têm três anos de casa, ou seja, entraram na época de 2005-2006, é bem evidente a enorme instabilidade em que tem vivido a principal equipa de futebol do clube.
Admitindo que este carrossel de jogadores contribuiu para melhorar a situação financeira do Benfica, podemos estar perante a versão portuguesa da gestão ao estilo de Florentino Pérez. Tal como a dele, pode dar lucro, mas pouco contribui para conseguir títulos. E, neste caso, a qualidade dos nomes envolvidos é indiferente.
Em 2005 o Real Madrid tinha no seu plantel, quatro dos mais valiosos atletas do mundo. Também por essa altura, ultrapassou o Manchester United em receitas. Nada disso se traduziu em resultados desportivos - a formação de uma equipa, exige tempo, estabilidade. Tanto como dinheiro.
Por isso mesmo, duvidamos que baste contratar um bom treinador para que termine o jejum de títulos do Benfica. Como normalmente acontece sempre que a contestação é muita, fazem-se promessas de aposta na formação e de rigor organizativo. O “agora é que é” do costume. Inevitável a dúvida: porquê só agora? Enquanto não houver respostas claras a este respeito, não será um qualquer Mourinho que irá conseguir o milagre. Isto, partindo do princípio que treinadores de qualidade aceitam esse papel de gestores do enorme supermercado de jogadores em que o clube se transformou. Até porque, dos nomes falados, um já viveu essa experiência - Carlos Queiroz - e deu-se mal. Ora, como bem diz o povo, “à primeira qualquer cai, mas à segunda só cai quem quer”.
Gil Camposgilcampos@hotmail.com
» 2008-03-27