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O “Efeito de tecto” das transferências da administração pública desportiva para as federações desportivas

Apesar do financiamento às federações desportivas apresentar uma tendência crescente de 27,4 milhões de euros, em 1996, para 36,5 milhões de euros, em 2003, tudo indica que o valor nominal estabilizou e não evoluirá.

Na sessão de abertura do Congresso do Desporto realizado em Matosinhos, em 12/12/2005, Paulo Frischknetch (www.congressododesporto.gov.pt) afirma: “A nossa taxa nacional de participação desportiva de 22% é assaz comprometedora, principalmente quando comparada internacionalmente com outros países de dimensão e características semelhantes às nossas, em termos geográficos, culturais e económicos”.

Imaginemos que a reforma do sistema desportivo permite duplicar o número de praticantes para 754 mil. Terá a administração pública desportiva capacidade para aumentar o financiamento de 36,51 milhões de euros para 73,02 milhões de euros? Ou terá o associativismo desportivo capacidade de assegurar a prática desportiva com base em apenas 49,5 euros/ano/praticante, exactamente metade dos valores de 2003?

Chegou-se a um ponto em que, face aos constrangimentos do pacto de crescimento económico, o Estado dificilmente poderá aumentar a dotação disponível para as federações. Mas, ao mesmo tempo, verifica-se que praticamente todas as federações definem como objectivo o aumento do número de praticantes, pese embora se saiba que esta tendência também resulta numa inflação do número de praticantes inscritos, relativamente àqueles que verdadeiramente praticam uma dada modalidade com regularidade semanal e ao longo de nove a dez meses. Neste contexto, as federações que aumentarem o número de praticantes estarão simplesmente a “roubar” recursos financeiros às congéneres que não conseguirem incrementar os seus efectivos. Se todas as federações aumentarem o número de praticantes, passarão a ter que coordenar a actividade de mais clubes, mais treinadores, mais jogos e mais árbitros com base no mesmo orçamento.


Manuel João Coelho e Silva
Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC

» 2007-11-07
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