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Além da Táctica

Doze minutos


Doze minutos foi o tempo necessário para mostrar o amadorismo que ainda grassa no nosso futebol... profissional. Expliquemo-nos: o “caso Meyong” teve a sua origem no facto de o jogador ter actuado, esta época, por três clubes, contrariando as directivas da FIFA que apenas permitem que isso aconteça por dois. Num desses clubes (o Levante), o jogador actuou durante... doze minutos. Foi quanto bastou para se perceber que, apesar do embrulho muito profissional e organizado das SAD, as coisas estão pior do que nos tempos da baliza às costas e a organização e unidade das instituições é só quando tudo corre bem.

Assim, numas contas rápidas, a contratação de Meyong passou por uns bons pares de olhos. Dando como válido que não compete ao vendedor explicar as deficiências do produto, pomos de lado os responsáveis pelos clubes espanhóis por onde passou o jogador. Mesmo assim, ainda sobram o empresário do jogador, o presidente do Belenenses, os administradores da SAD (?), o seu director desportivo, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a Liga de Clubes e a equipa técnica de Belém, já que é preciso não esquecer que Meyong foi convocado e posto em campo frente à Naval.

Ao contrário do que afirmou Cunha Leal, não parece defensável que, neste caso, competisse à FPF analisar em profundidade a contratação, porque o jogador podia ser inscrito (só não podia jogar) e a Federação não tem que estar por dentro dos objectivos dos clubes/ empresas. Já o mesmo não se pode dizer de todos os outros. O empresário do jogador, porque tinha a obrigação de cuidar da valorização da mercadoria que promove; os responsáveis do Belenenses- SAD, porque se tratava de um investimento que, pelos vistos, queriam usar/ rentabilizar no imediato; a Liga de Clubes, porque se assume como a superestrutura dos “patrões” do futebol-negócio e grande gestora do seu mercado.

Ora, no momento do assumir de responsabilidades, tudo ficou pela tristeza dos ataques pessoais e pela tradicional “abertura de um inquérito”. Não houve espírito de empresa, nem conselhos de administração, nem lógica de gestão de activos. Veio ao de cima a mais básica irresponsabilidade, como talvez nunca se tenha visto nos tempos da carolice. E bastaram doze minutos.


Gil Campos
gilcampos@hotmail.com


» 2008-01-19
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